Biografia Juliana Santilli

Patricia Goulart Bustamante

Resumo


Juliana Santilli era carioca, nasceu em 20 de fevereiro de 1965,  sua mãe era artista plástica e seu pai advogado.  Em 1987 formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro mas fez também o curso de jornalismo na Universidade de Berkeley na California/USA. Foi jornalista da área internacional da Folha de São Paulo e participou da concepção do Instituto Socioambiental (ISA) sendo sua sócia fundadora. Casou-se com Marcio Santilli com quem teve um filho, Lucas. Especializou-se em direito Socioambiental, atuando nos seguintes temas: sociobiodiversidade, biodiversidade, agrobiodiversidade, direitos socioambientais e direitos humanos das minorias éticas e sociais. Escreveu livros que trouxeram muita luz para essas temáticas, colaborando para que agricultores e populações tradicionais no Brasil pudessem conhecer leis, tratados e convenções que os protegiam e que davam base jurídica para lutarem por seus direitos. Foi com a Juliana que termos  como  TRIPs (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual) e UPOV (União Internacional para Proteção de Novas Variedades de Plantas)  puderam ser compreendidos e também o alcance de suas ameaças para a agricultura tradicional, justamante aquela que deveria ser fortalecida,  por conservar a agrobiodiversidade (como previsto no Tratado Internacional de Recursos Fitogenéticos – TIRFAA-FAO). 

Juliana orientou, acompanhou, leu com cuidado e pediu alterações em minutas de contratos propostos por empresas e instituições nacionais e internacionais aos agricultores e populaões tradicionais de diversas partes do Brasil. Seu olhar cuidadoso e seu amplo conhecimento davam segurança. Em muitas situações, tais minutas foram alteradas e agriculturas e agricultores tradicionais protegidos.  

Tinha uma rotina de trabalho diária que incluia muita leitura e escrita. Foi assim que nasceram livros como “Socioambientalismo e Novos Direitos” e “Agrobiodiversidade e Direitos dos Agricultores”, esse útimo  foi traduzido para o inglês “Agrobiodiversidade and the law” e selecionado pelo Ministério da Educação em 2013 como obra de referência para o Programa Biblioteca da Escola- PNBE. 

Juliana era também Promotora de Justica do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, onde atuou nas temáticas meio ambiente, patrimonio cultural, consumidor criminal e direitos humanos.

Em setembro de 2015, estava participando do Festival Slowfilme em Pirenópolis- GO quando precisou ser internada vítima de um Acidente Vascular Cerebral. Em novembro de 2015 Juliana nos deixou… Assim que os agricultores do Norte de Minas souberam da notícia, mandaram um texto em sua homenagem que entre tantas outras coisas dizia: 

Juliana se apoiou na delicadeza de uma semente que se escondia sob um simples grão e nos desvendou os complexos subterrâneos jurídicos de tentativa de aprisionamento daquilo que, por natureza, se fez por ser livre; com ela ousamos trilhar os caminhos inseguros, pantanosos, onde os direitos dos agricultores se chocavam com os poderosos interesses das corporações.
Com Juliana Santilli, os sertanejos do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha se descobriram participantes de um mundo muito maior do que podíamos supor pois, como ela mesma nos disse, são imbricados os patrimônios genético e cultural presentes no planeta
”.

E também:

“a vida, como um sopro, continua como frutos, que também continuam como sementes e vão germinar em outros mundos, deixando em nossas memórias o aroma do seu encantamento”.

Leva o carinho e o reconhecimento de centenas e centenas de pessoas, famílias e comunidades que tiveram a honra de conhecer Juliana Santilli.

 

 


Palavras-chave


populações e comunidades tradicionais; legislação e regulamentação; etnobiologia; etnoecologia

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DOI: http://dx.doi.org/10.22276/ethnoscientia.v3i2.186

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