“QUEBRANDO COCO PÁ CRIÁ OS FI, VISTI E CALÇÁ”: ETNOBOTÂNICA COM MARGARIDA E MARIA NO BICO DO PAPAGAIO, TOCANTINS, BRASIL

Marcos Felipe Gonçalves Maia, Baldur Rocha Giovannini, Rodney Haulien Oliveira Viana, Gecilane Ferreira

Resumo


Esta pesquisa buscou compreender como duas mulheres quebradeiras de coco do Bico do Papagaio, Tocantins, Brasil, se relacionam com a planta babaçu e seus subprodutos. Utilizou como fundamentação e ferramentas teórico-metodológicos: Fenomenologia, História Oral e Etnobotânica. A entrevista de História Oral Temática perpassou a vida, trabalho, sentidos e significados dessa planta para as duas entrevistas: Margarida e Maria. Compreendeu-se que as relações são complexas perpassando questões de subjetividade; identificação; trabalho; percepção do meio ambiente e seus processos de alterações; conhecimentos e técnicas familiares, tradicionais, locais; socialização e formação na comunidade; baixa escolaridade formal-estatal; partes utilizáveis da planta e seus subprodutos: óleo, carvão, telhado, cercas, cestos, esteiras; bem como a associação política como ressignificação do sentido de ser “quebradeira de coco”. Conclui reforçando que as etnobiologias, tais como a etnobotânica, possam servir de contato e vivência com outras culturas, outras formas de saberes, em união.


Palavras-chave


Babaçu; Campo; Etnobiologia; Mulheres; Trabalho rural

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DOI: http://dx.doi.org/10.22276/ethnoscientia.v4i1.201

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