O TERRITÓRIO SAGRADO PANKARARÉ NA CIÊNCIA DO AMARO

Alzení de Freitas Tomáz, Juracy Marques

Resumo


Os Pankararé, situados no Raso da Catarina, Bahia, na região do Semiárido brasileiro, constituem uma das etnias mais antigas do Rio São Francisco e foram chamados em tempo pretéritos de índios dos Currais dos Bois. A pesquisa com bases etnográficas e cartografia social, técnicas de geoprocessamento, iconografias e fotografias, investigou o território sagrado composto por valores simbólicos na “ciência do índio” por meio da dança do Toré, do ritual dos Praiás e da Mesa da Ciência, os quais constituem elementos simbólicos da etnicidade Pankararé e sustentam a capacidade de resistência na luta pelo território, sob a negligência do Estado que mantém a presença de posseiros no território indígena sob pretexto que estes, já “assimilados”, não poderiam ter terras demarcadas. Uma das razões estava associada à criação da Estação Ecológica do Raso da Catarina, bem como a manutenção de sistemas agrários duvidosos. A dívida histórica do Estado para com os Pankararé remete ao problema da desintrusão de não indígenas, à ampliação do território e autorização para o acesso a lugares sagrados, como mecanismo de manutenção de uma memória holística, identidade e tradições Pankararé.


Palavras-chave


identidade; memória holística; cartografia; tradição

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DOI: http://dx.doi.org/10.22276/ethnoscientia.v4i1.212

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