PLANTAS TÓXICAS OCORRENTES NOS DOMICÍLIOS DA REGIÃO DE FRONTEIRA BRASIL/PARAGUAI

SEBASTIÃO GABRIEL CHAVES MAIA, Alesson Pereira Cavalheiro

Resumo


As plantas sempre tiveram intrínseca relação com o homem ao longo da história da humanidade, de modo a se tornar evidente a necessidade de conhecer suas propriedades. Através do conhecimento dessas propriedades, o indivíduo passa a poder distinguir o que é bom e o que pode trazer algum dano, se esta planta é utilizada de forma errada. A partir de uma abordagem qualiquantitativa e utilizando um formulário semiestruturado, entrevistando participantes aleatoriamente escolhidos por sorteio, determinou-se quais plantas dos quintais da fronteira Brasil-Paraguai eram classificadas como tóxicas e que parte causava algum dano. Assim, 17 etnoespécies foram citadas como tóxicas e a análise de literatura mostrou que sete delas possuem alguma propriedade que causa danos quando utilizada, sendo a mais comum Dieffenbachia sp. Entre os fatores que levam o indivíduo a cultivar tais plantas, estão: atribuições terapêuticas, ornamentais, alimentícias e místicas. Dentre os sintomas causados pela intoxicação por contato e ingestão, os mais frequentes são dermatite, vômito e dores abdominais. O estudo desenvolvido tem sua importância relacionada não só à prevenção de acidentes, mas para o conhecimento de como ocorre a interação dos indivíduos com as plantas na região de fronteira. Além disso, o estudo de plantas tóxicas, assim como o de plantas medicinais, pode servir de subsídio para a elaboração futura de fármacos.


Palavras-chave


cultura; toxicidade; fronteira Brasil-Paraguai

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DOI: http://dx.doi.org/10.22276/ethnoscientia.v4i1.249

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