FITONÍMIA NHEENGATU DE PLANTAS UTILIZADAS NO TRATAMENTO DA MALÁRIA NO ALTO RIO NEGRO – AMAZÔNIA BRASILEIRA

Carolina Weber Kffuri, Lin Ming, Marcel Avila, Valdely Kinupp, Ari Hidalgo

Resumo


O objetivo deste trabalho é o estudo da fitonímia das plantas antimaláricas em Nheengatu por indígenas do Alto rio Negro e verificar se há, no estudo dos fitônimos, informações sobre suas propriedades medicinais ou de princípios ativos. Foram entrevistadas 43 pessoas em quatro comunidades indígenas. Foram analisados 22 fitônimos, pertencentes a 19 espécies, a maioria nativa do domínio fitogeográfico da Amazônia. Os fitônimos foram divididos em quatro grupos: utilidade para o ser humano; utilidade para animais; características morfológicas da planta e de hábitat; mitos. Observou-se que a maioria das plantas é identificada por suas características morfológicas e de utilidade para o homem. A pesquisa demonstra que os fitônimos não possuem significados relevantes relacionados ao uso medicinal.


Palavras-chave


línguas indígenas brasileiras; nomes populares; Aspidosperma; povos indígenas; biodiversidade cultural

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DOI: http://dx.doi.org/10.22276/ethnoscientia.v5i1.274

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